Contos Waldryano

Contos Lucas José

Nunca te vi sempre te amei




Rio de Janeiro 
6 de outubro de 1960

Ela estava de pé
Eu estava sentado

Saiu um, dois, três
E ela sentou ao meu lado

Pediu com educação licença
Eu escutei uma anja a falar

Meu coração palpitou
Queria tanto conversar

Era ela o grande amor da minha vida?

Cada curva, cada volta
Meu corpo encostava ao dela
Eu sentia o seu calor
E o seu perfume que se perdia na janela...

Comecei a admirar a sua boca,
Ela guardou algo na bolsa 
Iria me falar?

Meu coração queria sair pela boca
Eu a amei em cada respirar
Ela perguntou bem bobo:

— Parece que eu te conheço de algum lugar

Meu Deus, era o código que eu precisava para um galanteio começar!

Seus lábios
Ela umidecia
E eu olhava fixamente para eles

Ela disse deste modo:
— Estou ficando envergonhada

Eu lancei a pérola mais louca da minha vida

— Um beija, eu só quero um beijo seu

Ela levantou-se
Puxou a cordinha

Olhou no fundo dos meus olhos
Era uma deusa tinha sardas no rosto e um perfume inebriante

Me beijou

O constrangimento foi tão grande
O motorista que nos observava de longe sorriu

Abriu a porta
Ela desceu dizendo

— Adeus; amei te conhecer

Dias a fio
Peguei a mesma condução
Queria de todos os modos
Reencontrar a moça que roubou o meu primeiro beijo

As vezes penso que ela era uma anja
Que desceu do céu só pra me beijar

Nunca mais fui beijado tanto era o meu desejo e amor
Triste fim não encontrá-la
Todavia, guardo-a eternamente
Na memória o gosto doce daqueles lábios.



Rio de Janeiro 
6 de Fevereiro de 1961

Demorou tanto tempo, tinha meus desesseis, fiquei casto ao amor

   Esperava
 Esperava
Esperava 

Queria encontrar 
o mesmo desejo
O mesmo gosto
A mesma essência e nada



Rio de Janeiro
Agosto de 1962

Outro dia, entrei na condução
Queria de ônibus
Encontrar uma explicação
Olhei de longe

Vi ela então
Pedi pro motorista
 saltar me da embarcação

Corri, como corri
Corri pra ela 

Segurei-lhe
A mão

Ao ver bem a moça
Era idêntica
Mas não era ela não

Pedi perdão pelo equívoco

Ela,
Não sei quem
Foi ela
Que roubou o meu coração.


Pequena Pesquisa: O Rio daquele tempo, tinha em alguns pontos Bondes e por outros lugares ônibus. Abraços do Wal...

Nenhum comentário:

Recentes aqui no Blog

Pesquisar este blog