Chapeuzinho Roxo


Mais um dia de trabalho, preciso me apressar, para buscar a minha filha na casa da tia. Hoje as gorjetas foram boas, certamente poderei inteirar para conseguir pagar o colégio dela. Pelo menos este mês esta garantido.
— Sua pele não esta nada boa, estas olheiras aí afugentam clientes, dizia Margo. Trazendo um balde com água gelada.
— Vai, enfia esta cara aí, pifa, para dar uma esticada nesta cara, pois a próxima é você. Odiava a Margo, estava com os meus vinte e três anos, e precisava sair desta vida urgente.
De rosto lavado, tomei uma dose de vodca, para ficar leve. E vesti o meu traje de trabalho.
Após. Coloquei um sobretudo preto. A musica da minha apresentação começou a tocar.
Veio Margo, outra vez retocar um batom que tinha ficado meio borrado, e jogou um pouco de Glitter, no meu cabelo.
— Vai lá pifa, domina este palco que é teu, aproveita que a tua carinha ainda é bem requisitada.
Dei uma risadinha sem graça, e disse: — Só mais um golinho, hoje preciso dobrar estas gorjetas.
Nem liguei para o olhar de reprovação das que eram as coadjuvantes. Beijei a foto da minha filha coloquei no meu peito, embaixo do sutiã e fui, precisava ser a Chapeuzinho Roxo, mais uma vez para aqueles marmanjos e precisava: E como, de dinheiro, e é do bolso deles que viria.
A musica era inebriante, eu começava a observar, qual seria o pato da noite.
Alguns grupinhos de pobretões, sempre tinha, precisava em focar na grana, e não era por ali que encontraria.
Um homem misterioso começou a me observar.
No poli dance, começava a tirar vagarosamente as luvas, já aparecia o pato que eu tanto queria. Um que pelo entendi, na conversa inebriada a bebida, estaria se casando. Seria eu o presente de despedida de solteiro.
Olhei de longe, Margo fazia sinal que era para ele que precisava dar as minhas atenções.
O homem misterioso voltou a me olhar, desta vez vi bem, parecia que este tinha lentes de contatos, o olho dele era de gato.
Pera, o olho dele começava a transluzir, ao apagar e ascender das luzes, e quando a fumaça começou a tomar conta do show. Ele desapareceu.
Estava começando a ver coisas, provavelmente exagerei na bebida.
Já estava com o pato, fisgado, pegava na sua gravata, rodando aqui e ali, era um pato novo, bonito, até me animei com ele pense?
A Margo frenética, pediu para uma ajudante vir buscar as gorjetas, eu olhava para ela com olhar de consternação, era muito dinheiro, e eu precisava do meu.
Desci até o chão tirei o meu sobretudo, estava no ponto alto  da apresentação. Rolava no poli dance. A Margo, fez o sinal de parar, disse em meio aos códigos. Que conseguira Mil reais de gorjeta.
Engraçado? Não parecia tanto.
Dei uma mordida no queixo daquele desajeitado. E a música acabou, vesti o meu sobretudo, a tempo de dar uma leve chicotada no bumbum daquele depravado. — Aproveite a sua noiva, hoje, pequeno. Disse e sai em meio a aplausos e frenesi.
Margo veio e me disse:
— Pifa de onde veio tanto dinheiro, tome o seu, hoje você foi divina!
Divina eu? "Bicha invejosa." Sorri peguei o dinheiro e sai daquela boate, afim de descansar, e buscar a minha filha Lorena, de seis anos, que estava na casa da tia.
Já tinha inventado milhares de desculpas para ela. Chegar às 2 da manhã para buscar a filha era muito arriscado.
Adentrei no beco escuro que morria de medo, porém era o modo mais rápido de chegar na casa da tia e desta vez a minha amiga, que sempre me acompanhava não estava. Era eu e Deus naquela escuridão.
Abri a bolsa e vi que o batom estava lá.
Apertei, era bem forte a voltagem, se alguém chegasse perto levaria um choque que derrubaria um boi, assim disse o vendedor, quando comprei.
Seria hoje o dia de usar?
Guardei o dinheiro na meia calça embaixo do sapato. Até mesmo esta Margo Laza, poderia vir querer tirar mais de mim, pensei.
Era eu e Deus naquele beco.
Apressei o passo, uma quadra e já subia buscar a filha.
De repente, uma escuridão. Um bendito apagão, logo naquele momento.
Olhei para trás era ele. Estava me seguindo.
Eu corri.
Olhei para trás, ele tinha sumido, o homem com olho de gato.
Suava frio.
Voltei a olhar para frente, e tropecei caindo no chão, rasgando a meia calça.
Senti ele me segurar.
O meu braço estava sendo machucado, peguei da bolsa que caíra ao chão, o batom e apertei.
Tentava alcançar o moço que disse:
— De nada adianta comigo, isto moça. preciso de você e agora.
Abriu uma fenda de luz, ele puxava-me com força para aquilo, que parecia sugar as coisas próximas.
— Não moço, pelo amor de Deus não! É dinheiro? Tirei o sapato arranquei da meia calça. Era bastante, ele precisava me liberar daqui.
— Tome! Eu tenho uma filha, por favor não!
De nada adiantou, ele me puxou e ambos estávamos indo para aquela luz forte, e assustadora. Mal sabia eu o que iria encontrar. 


Blog do Wal

Dark Netflix

Dark Netflix 1º e 2º Temporada comentários:


Dark é uma websérie alemã de drama e suspense criada por Baran bo Odar e Jantje Friese e distribuída pela Netflix. É a primeira série original alemã do serviço de streaming, decorrente de uma tendência crescente de produções internacionais, incluindo a série mexicana Club de Cuervos de 2015 e a série brasileira 3% de 2016.
Seu lançamento mundial foi no dia 1 de dezembro de 2017.
No dia 20 de dezembro de 2017 a série foi renovada pela Netflix para uma segunda temporada com oito episódios. Em 25 de junho de 2018 as gravações iniciaram-se. As gravações terminaram em dezembro do mesmo ano.
A segunda temporada estreou em 21 de junho 2019 (data escolhida de propósito, com base no evento ocorrido no primeiro episódio).
O desaparecimento de duas crianças em uma cidade alemã traz luzes às relações fraturadas, vidas duplas e o passado de quatro famílias que vivem lá. Aborda o tema de viagens no tempo e principalmente o entrelaçamento temporal. Onde passado, presente e futuro se conectam numa cidade da Alemanha.
A primeira temporada inicialmente acontece em 2019, mas se expande para incluir histórias em 1986 e 1953, com vários personagens sendo retratados em várias idades por vários atores. A segunda temporada ocorre vários meses após a primeira, descrevendo as três histórias iniciais em 2020, 1987 e 1954, respectivamente, enquanto introduz histórias ambientadas em 2053 e 1921.

Comentários do Waldryano; Julho de 2017

Uma série inteligente, bem idealizada, fotografia de primeira e um terceiro elemento a trilha sonora, sempre bem inserida, torna a série, Cult, ou seja, mesmo o tempo passando, sempre será lembrada, pois foi diferente das demais.
Na primeira temporada senti um orçamento apertado e por isto não era inserido muitos efeitos especiais.
Já na segunda temporada pareceu-me mais ficção científica a série, havia mais elementos de computação gráfica na série.
A primeira temporada mostra um suicídio de um personagem, logo após adolescentes e crianças vão fazer uma traquinagem na floresta, e entram em uma caverna.
Um pré adolescente que entra nesta caverna e some.
Somente na segunda temporada é explicado, que em algum lugar desta caverna é depositado lixo toxico, sendo este o responsável por uma fenda no tempo que faz quem entra nesta caverna em algum lugar por lá viajar no tempo.
A viagem no tempo é quase um looping temporal, pois estes viajantes viajam em três eventos do tempo. A explicação é dada na série, que eventos da natureza ocorrem em 33 a 33 anos.
Em paralelo a isto, um professor desenvolve um livro e uma máquina do tempo vintage. Steampunk.
Então a série em si narra estas viagens dos moradores daquele vilarejo na Alemanha, com muito suspense e enredo bem encaixado.
Outro elemento que surge na Segunda temporada é um conceito físico atual, A matéria Escura, em algum lugar da série falam ser o Olho de Deus.

Conseguindo 'domar' as interferências deste fenômeno, criado em laboratório, também é possível viajar no tempo.
Porém as viagens no tempo se restringem a ciclos de 33 anos.

Se você não assistiu a segunda temporada não aconselho que leia o que vou dizer a seguir:

No final sugere-se que a terceira temporada irá narrar multiversos. Ou universos paralelos ao nosso.

Entre a primeira e a segunda temporada, senti uma boa produção, com retomadas importantes, pense que poderia ser um grande filme de suspense bem idealizado. Para seguir a narrativa com coerência, pareceu-me que se houver uma terceira temporada, nesta primeira e segunda já a estão gravando, pensando que no pressuposto, muitos acontecimentos seriam repetidos para trazer algum sentido a lógica do enredo da série.

Eu não sei precisar muito bem o conceito, mas sei que ele existe. Sobre o que entendo por certo. Dois corpos não podem habitar o mesmo espaço, e isto se vê muito na série Dark, eu configuro isto um erro de lógica.
Como uma pessoa do passado estaria no futuro e interagiria mutualmente com ela mesma?
Uma pessoa poderia evitar uma prematura morte, através de uma viagem no tempo evitando eventos que assim seria ilógico para algum interessado que viesse a acontecer?
Respondendo a estas minhas indagações que faço a mim mesmo, assisti e resenhei a série da Netflix (esta pareceu me Catalã. Catalão é uma região da Espanha) que demonstra múltiplos universos. Se eu não tivesse te conhecido. Netflix.
Nesta série o Personagem principal viaja no tempo e outras dimensões e tenta mudar o passado.
No entanto, seria em outra dimensão.
Nesta série fala-se do termo: Bifurcação. Onde na nossa vida há eventos que mudam drasticamente o nosso futuro.
Por quê estou citando ela?
Pois senti que a terceira temporada vai usar e abusar desta nova referencia para continuar a existir e explicar coisas inexplicáveis a série atualmente.
Este conceito de multiversos, vem das teorias das cordas, que esta atrelada a estes conceitos de viagem do tempo. Tempo espaço, fenda temporal, buraco de minhoca ou buraco negro. Todos estes conceitos que permeiam o universo Geek.

Somente esperar, que a série Dark ainda tem muito pano pra manga! Ah, o Jonas do futuro esta todo irradiado? De tanto viajar no tempo ficou desfigurado? Um forte Abraço!


Blog do Wal

Príncipe Thomas

Príncipe Thomas

Escrito por Waldryano

Thomas está no seu castelo com Alfred o fiel mordomo, tudo pronto e organizado, ele irá passear, mas não é um passeio regado as carruagens e a nobreza, sim uma visita a um país da América do Sul; Brasil.
— Alfred, tudo em ordem com o meu material de montanhismo?
— Sim, Príncipe Thomas, confesso que penso ser uma bobagem da sua parte ir fazer este esporte radical em um país distante
— Sim, Príncipe Thomas, confesso que penso ser uma bobagem da sua parte ir fazer este esporte radical em um país distante. Aqui na Europa não possui atrativos que já o deixaram de cabelo em pé?
— E outro detalhe, haverá a sua nomeação para reinar você já está se tornando maior de idade
— E outro detalhe, haverá a sua nomeação para reinar você já está se tornando maior de idade.
— Mas companheiro; este ano é diferente.
Thomas tinha terminado com a namorada, todos os seus planos, foram por água abaixo após ele descobrir que ela o traiu.
— Tudo pronto, conferia a mala, e o material. Alfred era bem jovem com seus 30 e poucos anos, já Thomas 20 aninhos (quase chegando a tão temível maioridade) ambos eram companheiros inseparáveis. De aventuras, de protocolos…
Ainda bem que você vai viajar comigo. Não quero que ninguém fique sabendo. O reino de Varsóvia pode ficar uns dias sem o seu Príncipe, então: — Borá Brasil!
A viagem foi em segredo como Thomas queria Alfred, fiel empregado, não o contestou, mas relutou em ir.
No avião Thomas pensa na escolha que fez. — Meu Deus como era ela fútil e interesseira! Nunca mais caio nessa. A sua até então namorada o traiu com outro Príncipe, de um país maior de posses melhores. Ele olhava a foto. Alfred pega-a dele e diz:
— Thomas se não tem coragem faço eu, pegou a foto, jogou para fora do avião, a aeromoça veio e fez referência à travessura, Thomas riu, trancou a janela, o avião embarcou, Thomas fechou os olhos. A viagem era longa…
No Brasil, dois desconhecidos mochileiros passeiam por uma cidade de interior.

— Não foi uma boa escolha o Brasil, aqui não tem grandes desafios. Alfred continuava contestando as escolhas de Thomas.
— Mas há lindas mulheres aqui, não é?
— Você não toma jeito jovem Príncipe.
— Você acha que o Thomas aqui vai ficar curtindo uma fossa e ainda mais quando está chegando a minha maioridade, iniciar a vida de adulto com uma princesa para se tornar rainha que tal?
— Mas você não quer dar um tempo depois azinha que arranjou.
— Quero nada, vou escolher a minha princesa e será neste país.
A cidade era de interior, tipo (planície), Thomas e Alfred como bons instruídos que são falam com certa desenvoltura o idioma nativo; O português. Eles se hospedaram em um hoster e estavam indo neste momento para uma nova aventura: Escalar um morro no cerrado brasileiro.
O guia os levou.
— Deixo-os aqui, tenho família, que malucos vocês! Vocês realmente têm coragem de encarar uma descida íngreme destas?
A descida era íngreme mesmo, os dois aventureiros, colocando o cinto e o talabarte certificando os itens de segurança como de costume e começavam a aventura.
A ideia era simples, descer o morro e depois encarar a trilha.
Adrenalina na veia.
Mas no meio do morro veio a chuva, que tempestuosa e do nada. Alfred e Thomas não conseguiram prevê-la tornando a descida perigosa, houve um descuido, Thomas soltou o pino que o fixava, Alfred Gritou: — Jovem Príncipe. — Não!
O rapaz foi içado para o outro lado, com um movimento brusco ele consegue controlar o impacto com as pernas, estava a uns 200 metros do chão.
Alfred com muito custo conseguiu chegar próximo ao Príncipe, era uma vegetação densa, ele depois de o ocorrido ficou alojado numa fresta no morro, Thomas machucou a perna, o equipamento se foi, caiu morro abaixo.
Alfred fez o primeiro socorro, na perna, era um pequeno corte, porém, qualquer corte, como ele bem sabia próximo da veia femoral era muito perigoso. Feito o torniquete de modo rústico o Mordomo não observou outra solução “Pedir ajuda. Deixou-o ali tendo o cuidado de deixar uma garrafa de água.”

Thomas sentia a chuva que caia de modo voraz, ficou feliz, pois, ao apoiar-se sozinho fez cair a garrafa de água, estava só, a noite veio, ele com medo, pensou. “— Tenho todo o dinheiro do mundo, minha herança poderia comparar este morro inteiro, súditos ao meu dispor, mas estou indefeso neste lugar afastado.”
Os grilos o fizeram companhia, ele adormeceu, os ferimentos precisavam ser tratados, isto ele não sabia, a febre veio. O silêncio era quebrado, o amanhecer chegou, uma ave de rapina estava se aproximando, provavelmente o cheiro do sangue poderia ter a atraído. Thomas abriu os olhos estavam inebriantes a visão, ele viu a ave, ele escutou galhos quebrando, ele não aguentou e voltou a fechar os olhos.
Ao abri-los de novo estava deitado, parecia em palha não soube precisar, estava imóvel, não conseguia mexer as pernas, não conseguia falar, só movia os olhos. Estava com umas folhas que cobriam as vergonhas e só.
Precisava de ajuda. Estava indefeso, não sentia dor, sentia sede, mas não conseguia nem pedir água.
Uma fumaça entrou naquilo que lhe parecia ser uma casa de índio, sim ele definiu aquele lugar uma casa de índio, a fraqueza lhe fez não conseguir prestar atenção, a fumaça passou, ele voltou a fechar os olhos e adormecer.
Acordou novamente, desta vez uma água amarga veio a sua boca.
— Quem a colocava? Uma linda índia, e por incrível que pareça, falava uma língua compreensível a ele, dizendo:
— Calma, Calma. Passava um creme meloso no ferimento, ele não soube precisar, a fraqueza veio novamente, ele continuava não sentindo as pernas, ele não conseguia se mover o corpo para baixo.
Ele queria o Alfred, ou alguém conhecido, ele chorou.
A moça falou com alguém em outra língua, voltou, colocou-o no colo, e o seus cabelos sedosos, invadiram a face, ela estava vestida de adornos que pareciam penas. E disse. Calma, eu vou cuidar de você.
Foram dias meses naquela cama, se é que posso chamar assim. Uma vez por semana o Pajé, assim intitulei, entrava no quarto de índio e saia uma fumaça e ele fazia algo que nunca saberei precisar.
A moça era sempre doce, ela colocava-me no colo e ela ninava uma canção na língua de índio.
Com o tempo a ferida cicatrizou somente a fala e os movimentos não voltavam.
Aprendi a amar, aquela moça.
Certo dia escutei um alvoroço na aldeia, Olhei de longe, era ele o Alfred que chegara, ele veio me buscar, os índios não queriam me entregar eu não compreendia o porquê. A moça disse:
— Somente eu falo a sua língua, você é o Tupã que veio do céu para salvar a aldeia. Meus olhos marejaram. Eu não conseguia falar, nossa despedida se deu desta maneira. Enquanto a equipe que me veio resgatar me acomodada em uma maca ela em desespero pegava nos meus braços dizendo:
— Não nos deixe.
O Alfred me levou, estava com policiais do IBAMA.
Depois de um ano já recuperado voltei, novamente a aldeia precisava fazer isto.
Descobri alguns aspectos daquele lugar era um local de preservação onde não era permitida a presença de pessoas da cidade. Com muito custo e autorizações consegui adentrar e estava acompanhado a um guia da cidade que parecia conhecer a moça que fez retornar àquele lugar:
A Sua descrição confere com uma pequena índia que precisou de tratamento de saúde na cidade, falava-me o guia. Ao entrar a aldeia fomos bem recebidos, perguntei ao pajé, o guia traduziu.
— Como me salvaram? A aldeia era um tanto longe do local da minha queda. Ave de minha filha Potira avisou que o Salvador estava na montanha da perdição.
A aldeia estava sendo tomada por garimpeiros, e eram poucos os sobreviventes, mesmo o IBAMA, órgão de proteção aos índios não conseguia vencer tanta barbárie.
A índia delgada dos cabelos sebosos, veio e me abraçou, senti o amor correr nos meus pulsos. Tive que decidir. Meu coração estava naquela aldeia, era natal. Minha família relutou, o devaneio de um jovem Príncipe, mas hoje o local é preservado, fruto do dinheiro real, e eu tenho o amor da minha salvadora todos os dias nos meus braços. Alfred, pedi para ele voltar, e dar a minha decisão.

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Já se passaram 10 meses que Thomas, estava na aldeia e com o tempo se habituando ao modo selvagem de viver daquele lugar. Seu modo de demarcar o tempo tornou-se rabiscos ele olhou para os traços na parede, e observou que a soma matemática demonstrava ser o seu aniversário de 22 anos aquele dia.
Ninguém precisava saber, que já era um homem oficialmente em Varsóvia, sendo assim, estava se tornando de maior no seu Reino. A propósito, as notícias que Thomas tinha dos seus familiares eram escassas, O seu melhor amigo, Alfred, o ajudou com o anonimato, e os seus pais contaram ao povo que o jovem Príncipe estava desaparecido.
Vivia guardado naquela reserva florestal e mantinha se informado sobre a Realeza através de cartas que recebera de uma índia que às vezes se deslocava para uma cidade próxima. O pedido de Thomas era viver a vida modesta com a sua amada Potira.
Precisava caçar e, deste modo, saciar o desejo da sua mulher que era comer carne de tatu. Já tinha caçado outras vezes, com os amigos companheiros, sempre os jovens índios o veneravam por sua pele e olhos claros. Com o tempo tornou-se comum aos demais, porém, a veneração e o respeito perpetuou, pois, o jovem Príncipe possuía uma rara habilidade, de ser agradável e socializável, anos de etiqueta e diplomacia, o tornava uma pessoa compreensível humana e ética.
Hoje foi o dia de sair caçar sozinho.

Era o desejo da sua bela Índia comer o alimento exótico para nós civilizados, todavia, um tanto cotidiano para os indígenas, então com o arco em punho, afiou a flecha em uma faca, e deixou-a, a ponto de bala, esticou o arco com a flecha tentando imaginar a cena. Sua presa, com a morte certa, e a sua destreza em mirar o alvo.
Ao caminhar em busca da sua caça ele pensou um pouco na vida de regalias que tinha, e o modo simples e rudimentar que escolherá viver.
Sobre o modo de vestir ainda não ficava pelado como os outros índios estes, só escondiam as vergonhas com umas penas que só tampava as partes íntimas. Seus trajes se limitavam a um pequeno shorts de algodão marrom um dos poucos que resistiram, com que estava quase desgastado por completo, o inevitável — a nudez — logo viria a acontecer.
Era motivo de chacota entre os companheiros, contudo, ainda a inocência indígena ainda não o acometera. Não se imaginava nu
— Questão de tempo. Potira dizia.

E foi o jovem aventureiro, buscar o alimento que seria a janta da sua oca, a sua mulher vivia faminta, precisava ser rápido.
Ao adentrar na mata, ranger de galhos e o barulhos do vento lhe faziam companhia.
Ao puxar uns arbustos, viu de longe, a tão almejada presa. Começou a observar logo a frente três tatus, poderia escolher em qual mirar. Era difícil almejar tal alvo, já errou várias vezes. O único lugar possível acertar com êxito era a cabeça, devido à carcaça que este animal possui. A mulher queria e ele fazia, senão ficaria mal entre a tribo.
Passou um pouco de barro na cara, precisava sentir a natureza na pele e incorporar o espírito caçador. Lançou a flecha, com destreza acertou o alvo.

Parecia escutar um barulho na mata. Era uma impressão somente, assim pensou.
Foi buscar a presa caída, queria voltar cedo mesmo, aproveitar o entardecer, fazendo carinho na sua amada Potira.
Não era um barulho somente: Era uma onça!
Ele saiu correndo, e a felina correu atrás dele.
Lembrou que deveria ficar parado. — Mas quem consegue? Era assustadora.
A morte estava ao seu caminho. Não conseguia pensar em outra coisa. Tirou a lança da presa e tentava mirar naquele animal voraz que estava se aproximando com muita agilidade.
Ao esticar a flecha, e tentar acertar ao animal. Errou.
A onça deu um pulo, um salto daquele predador, no jovem Príncipe.
Era o fim.
A onça caiu por cima dele. Thomas sentiu o peso do animal certamente iria o devorar. Passou um filme na sua cabeça, a Realeza, o pai e a mãe, tudo, até o amigo Alfred. A morte.
Viu o sangue no seu corpo.
A onça apagada e ao horizonte
Potira com a lança na mão.
Ela alisou a barriga, de uma mulher grávida quase parindo. E deu uma risada, esvoaçando os cabelos ao vento.
Thomas, rolou tirando a onça do seu corpo.
Potira, falou: — Enterra ela, não é bom comer carne de onça, dá mal agouro para criança.
Foi pesada a bichana, na hora pensei várias coisas, e vi que: ou era eu que estava invadindo o habitat dela, meus instintos de homem civilizado diziam que o que havia acabado de fazer com o animal era errado.
Potira, parecia ler minha mente do seu homem, logo falou. — Ou era ela, ou você amor.
Olhei para aquela bela mulher e disse: — E você ei. Não era para estar descansando? O nosso filho já está para nascer!
— Mulher da mata é forte, Não se preocupe. Mas obrigado pela carne de tatu, estava com vontade.
— Não sei o que está acontecendo, replicou, onça perto da tribo não é boa coisa.

Empurrar a bichana pelo rabo estava me cansando. Até que ela acordou do nada. Estava ferida somente não tinha morrido. Potira pegou me pela mão e disse:
— Corre, homem branco, corre.
Pelo lado bom a onça parecia fraca, correr dela não era tão desafiador assim, eu me apressava, mas a minha Potira corria mais rápido, mesmo com aquele barrigão quase saltando a criança para fora.
Ela chegou na aldeia, para ela parecia uma criancice tudo o que acabara de suceder. Com o tatu na mão, aquela linda Índia só demonstrava para mim suas origens guerreiras. Já na minha oca a me limpar, Ela contou para o Pai sobre a onça.
Os índios saíram rondar a tribo, na procura do animal. A Potira estava animada com a carne de tatu disse assim para mim.
— Criança vem hoje, ela já virou no meu ventre.
Eu sorri, dizendo: — Como você sabe?
Me respondeu assim: — Mulher índia sabe, olha a cabeça da criança está aqui e o corpo nesta posição hoje a noite nasce.
Uma velha da tribo entrou na nossa oca, passou a mão na barriga. E saiu puxando uma espécie de charuto de palha. A fumaça pareceu-me uma criança, depois a fumaça se dispersou. A índia velha olhou para a minha mulher com sinal de reprovação.
Potira, passou a mão no ventre e disse:
— Não!
E correu para rede e deitou.
Eu fui atrás dela e queria entender o que estava acontecendo. Não entendia o que estava se passando.
A criança começou a sair.
Após, eu compreendi perfeitamente, o porquê da índia velha passar na nossa oca.

+++

Thomas está em seu Castelo, com Alfred seu fiel mordomo. Tudo pronto, ele irá cavalgar com o pequeno Thomas Júnior, sete anos ele já pode cavalgar em um belo pônei.
— Certificou-se de colocar corretamente uma sela no pônei Alfred?
— Certamente Alteza. E a rainha Potira irá cavalgar conosco?
— Hoje ela acordou um pouco indisposta, iremos nós três.
Potira olhava para o horizonte estava vestida com um belo vestido branco, Thomas chegou e a abraçou-a, ela sorriu e retribuiu o agrado com um beijo.
— Era necessário amor, vir morar aqui. Já faz tempo precisas esquecer do teu passado.
— Eu sei amor, mas sempre penso no meu 'Reino' assim que eu digo não é?
— Sim, as aulas da nossa língua está te ajudando nem sotaque você tem, nem percebo. Somente estas palavras que você insiste em mudar nas frases…
Ela o beijou novamente. Thomas olhava lá fora Alfred com o pequeno Thomas Júnior, e sorria.
— Eles se dão bem não é amor? — disse para Potira. — Quer saber, o Alfred leva o pequeno Thomas para cavalgar. Você precisa de mais de mim hoje.
Ficaram se abraçando e se beijando, saíram passear no jardim do Castelo, Potira até esquecera do passado e da indisposição.
Já mais tarde quando voltou Alfred e o jovem Príncipe. Potira olhou com olhos ávidos antes mesmo dos dois cavaleiros chegarem. Thomas conhecia aquele olhar, algo errado certamente tinha acontecido.
Ao descer do pequeno pônei, o pequeno indiozinho, veio e se apegou nas pernas da mãe chorando.
Thomas ficou bastante assustado.
Potira entrou para o quarto com a criança, e Thomas foi investigar junto ao seu mordomo Alfred.
— O que ouve? Qual a razão do meu filho estar chorando?
— É que, é que um amiguinho dele.
— Fala logo!
— O Chamou de mongoloide.
— Mongoloide? Como ousa, filho de quem?
Alfred tentou colocar panos quentes, não era para tanto, coisa de crianças, o filho do agora Rei Thomas, tinha Síndrome de Down. Fato que fez ele fugir às pressas da tribo, crianças com problemas são enterradas vivas em algumas tribos brasileiras.
Veio os momentos vividos na sua memória naquele ato. O descobrir, que a criança era diferente, a decisão da mãe e do marido de fugirem da tribo e o voltar para o Reino de Varsóvia.
Passou alguns anos de muita felicidade entre eles. — Era estranho para a mãe e o pai de Thomas toda aquela novidade? Sim era.
Mas já eram acostumados com as excentricidades do filho.
Quando o pequeno Thomas Júnior, tinha seus cinco anos, o pai de Thomas faleceu, tendo ele que assumir o trono real.
Foi o fato mais comentado das revistas europeias, colocavam a bela Potira em quase todas as manchetes de revistas. Mas ela sempre preservava o filho dos holofotes.
Ao entrar no quarto, chorava com o choro do filho. Potira era fraca naquela situação, sabia que havia preconceito, já lera e fora instruída pelas suas damas de etiqueta a respeito de tal assunto, e sempre conseguia ter uma postura ríspida com os outros, pela sua exótica origem.
— Mas o seu filho,o seu querido filho?
Era muita judiação. Mães viram onças bravas quando mexem com suas crias, aquela estava desolada.
— Aquela velha, jogou maldição no meu filho.
Thomas abraçou Ela dizendo:
— Não é maldição não, ele é especial, será amado, e terá todo o nosso apoio. Você já pensou que tudo era para ser? Minha ida para o Brasil te conhecer e o meu acidente que você me salvou, a propósito você me salvou duas vezes.
Ela já esboçava um sorriso, seus olhos de jabuticaba, enchiam o Rei de Felicidade.
— Você é a minha rainha e eu sou seu rei, e o Thomas é um milagre nas nossas vidas, não tem nada de mongoloide, isto é coisa de gente sem cultura.
— Vou impor um decreto real impondo às crianças um ensino que seja especificado inclusão e etnias, isto é somente mais um preconceito a ser quebrado amor, quem tem que se habituar ao nosso mundo são eles, não nós.
— Vocês imaginam leitores que eles não conseguiram tornar aquela sociedade melhor?

Thomas Júnior, não foi rei, pelas suas limitações.

A Rainha Potira, foi a rainha mais exótica daquelas redondezas, e Thomas, teve outros filhos, Mas Thomas Júnior, foi um exemplo de homem, sempre com um sorriso no rosto, ajudou seu irmão a governar por longos anos.


Não foram felizes para sempre, houve, várias conquistas, mas foram felizes.

A mulher do Açougueiro


A mulher do Açougueiro

Escrito por Waldryano

Jorge, encontra-se no seu estabelecimento comercial, em cima é a sua casa, e abaixo o seu açougue, mora num sobrado se assim você permitir imaginar, a cidade de interior, bem pouquinhos habitantes, ele conhece todo mundo que mora por perto, e todos o tem como; o Buguinho do açougue, sempre foi assim e a vidinha pacata e monótona continuava como sempre foi.

Nunca que os vizinhos do Buguinho imaginavam como ele conseguiu conquistar aquele "pedaço de carne" que era a sua mulher Mercedez.

Provocante das ancas largas, um remelexo natural, e um olhar angelical, fruto daqueles olhos azuis celestes que atraiam os homens para aquele estabelecimento de esquina.

Enquanto o Buguinho passava a faca, na chaira, para deste modo deixar bem afiadinha, e desta maneira ir cortando os bifes de coxão mole para mais um cliente.

Mercedez ficava na varanda da casa tomando uma fresca expondo a figura para quem quer que passasse por ali.

Ela tinha um olhar distante, parecia sempre a procura de alguém.

O seu homem, não era corpulento e sim pequeno, mas sabia coisas do trato que a fizeram cair na sua lábia.

Ela não gostava muito da carne, o cheiro de açougue não lhe agradava muito. Até tentou ficar no mercadinho no caixa. Não deu muito certo. Buguinho a tinha como um bibelozinho sempre assim. Não se importava.

A vidinha monótona era sempre a mesma. Era Buguinho desossando um traseiro, separando as partes para freguesia.

Era coxão mole, era patinho a posta branca e a posta vermelha.

Cortava-se um contra-filé como ninguém. O povo gostava dele. Pois o pequeno estava sempre atencioso com a freguesia.

E lhe perguntavam.

— Como vai a dona Mercedez?

Vai bem, está meio resfriada estes dias, por isto agora se encontra-na em cima cuidando da casa.

— Ah bão, me vê um quilo de carne moída.

E ia o Buguinho para a câmara fria pegar os pedaços de músculos para moer.

— Faz tempo que não vejo ela, disse uma senhora que todas as tardes vinha buscar a carne pra sopa, família grande precisava daquele reforço no mantimento.

— Lhe garanto que está bem.

Buguinho sentia uma paz no ar, lá em cima estava silencioso. Certo que a Mercedez estava bem.

Esqueci de lhe contar, na frente do estabelecimento tinha um bar, daqueles botequins de fim de tarde. A visão que os grotescos pedreiros e peões tinham era a bela morena dos olhos azuis tinham. Naquelas bandas, homem que é homem olhava sempre pra cima. Ver a anja da varanda.

O Senhor da frente antes de fechar o estabelecimento, perguntou ao Buguinho.

— Boa tarde, como foram as vendas hoje?

— Muito bem, obrigado. Parecia com pressa pra fechar e subir pra cima.

— A propósito num vejo a dona Mercedez estes dias, ela esta meia sumida. Disse o velho comerciante, escarrando no chão após ter terminado de varrer a sua fachada.

— Ela anda meio Gripada, daí não está boa pra ficar vendo a vizinhança.

E fechava a cara, não era nada agradável ficar fazendo comercial da sua pequena.

+++

Terminado o expediente, Buguinho fechou as portas do estabelecimento. Guardou cada pedaço de carne do balcão, na câmara fria, ficou feliz que não sobrou muita coisa, enquanto o ajudante terminava de limpar com água e alvejante o chão, pra ficar limpinho e sair qualquer mal cheiro.

O ajudante era um rapazote meio estranho sempre quieto, tinha uns dezesseis anos, era prestativo, mas sempre quieto, era trabalhador isto que importava.

Buguinho tirou o avental e pediu pro moleque limpar. Fez a contabilidade do dia, tirou algum pra sair com Mercedez e dispensou o rapaz.

Subindo para cima de cara já achou estranho a Mercedez não vir recebê-lo.

— Será que estou fedendo a sangue?

— Será que ela nunca vai se acostumar?

Foi no quarto e ela estava sentada na cama fazendo crochê.

Ele fez um gesto que iria se limpar, ela fez uma carinha de repugnância com o cheiro.

Ele pegou um par de roupa limpa, caprichada da moda, e uma toalha de banho.

Foi pro banho, tirar a craca do corpo, se lavou, se lavou, no entanto o cheiro ficava impregnado em cada poro do seu corpo, e isto era um problema.

Se secando, viu que cheirava ainda, e estava também preocupado com as roupas brancas que naquele dia estavam um pouco sujas de sangue. Pensou em ajudar a pequena, que parecia cri-cri com algo. Levou-as para o tanque e colocou-as de molho.

Lavando-as esfregando-as. Era evidente que não tinha jeito com aquele esfrega, esfrega.

Ela falou de longe:

— Deixa de molho, amanhã as ponho pra guará.

Buguinho pensou... Ela está estranha mesmo...

Terminado, voltou ao banheiro fez a barba, e se encheu de loção.

Engraxou a botinha, e deixou um brilho só.

Entrou no quarto e disse.

— Muié, larga deste crochê, amanhã termina. Ele falou assim, pois sabia que ela era meio que obcecada com começar e terminar suas intermináveis toalhinhas, era um hobby que o irritava, porém deixava era a sua felicidade fazer aquele artesanato.

Ela colocou a agulha no novelo e sorriu.

Agora sim o Buguinho ficou feliz, pois o sorriso da Mercedez era maravilhoso, ela mesmo gripada e chororó era um anjo lindo que o deixava feliz.

— Sim, vamos para uma Festa que tem na Praça, lá na rua da igreja. Quero passear e ver os amigos.

Levantou igual criança. Dizendo: — Claro, claro, em dois toques me troco, até me sinto melhorzinha. E correu pro baú buscar um vestido da moda do interior. 

+++

Casais passeavam na praça da cidade, era uma bela noite, não estava muito frio, era uma temperatura agradável, as luzes amarelas de lâmpadas incandescentes dava um ar de conforto aconchegante àquele local.

Buguinho e Mercedez, de mãos dadas estavam agora passeando pela redondeza.

O açougueiro era sorrateiro com qualquer um que olhasse o seu pitel. Estufava o peito e tentava ficar ereto. De nada adiantava, Mercedez era centímetros a mais que ele e isto o incomodava a sua virilidade.

— Por que tanto perfume?

Ela continuava como se não tivesse ouvido a questão. Ignorando por completo.

— Quero maçã do amor. Compra amor! Ele parou na barraca da maçã.

Ele continuava a cuidar da mulher com os olhos. Mas aquele vestido estava deslumbrante, Buguinho olhou e sentiu um certo incômodo, o decote demonstrava mais do que ele achava correto mostrar. Ele comprou a maçã deu para ela e perguntou.

— Trouxe a manta?

Ela disse: — Trouxe sim a minha manta de crochê, daqui a pouco eu coloco, estou um pouco com calor, o sereno não chegou ainda.

E veio a mordida na maçã. Buguinho ficou a olhar, os lábios da mulher sendo sujo com aquele caramelado, ela lambeu o caramelo com a língua umedecendo a boca, que parecia estar com batom e forte. Buguinho sentiu um certo desejo, olhou para o lado e viu um grupo de três rapazes olhando a sua mulher, pareciam comentar.

Ela veio e beijou o marido. Ele sentiu o gosto doce da maçã. Ela agora chegou perto da orelha dele. E cochichou. — Eu passei este perfume de lavanda para você meu gostoso. Mas o olhar dela foi para os três rapazes. Buguinho não observou isso. Estava mais atento com o cochicho que tornou-se uma mordidinha provocante na orelha. Buguinho arrepiou. Era apelação.

Ele falou: — Pare aqui não é lugar, tem gente olhando.

A Dona parecia ter saído do seu estado de êxtase. Os olhos não eram mais vorazes, e os rapazes se dispersaram. Buguinho acariciou sua orelha, sentia o melado do doce.

Continuaram o passeio, algo inesperado iria acontecer.

+++

Quando chegou em casa, ela já foi preparando a janta, ele foi tirar as botinas, e ver algo na tv. Não era muito tarde. O passeio terminou de forma estranha, Ela se queixou de indisposição, Buguinho desconfiado logo lhe perguntou.

— Está nos dias?

Ela respondeu.

— Acho que estou. Aquele marido era um relógio e compreendia que não era os dias das regras dela, e olhou novamente pra ela. Mercedez disse já compreendendo que o marido não tinha aceito as desculpas.

— Nós mulheres somos assim mesmo, as vez vem antes, por vezes atrasa. E o Buguinho olhou para ela aceitando as desculpas, (tentando ser convincente) respondeu.

— Serei o homem mais feliz deste mundo. Quando o nosso Buguinho Junior chegar.

Enquanto a Dona assuntava com as panelas, Buguinho tentava se distrair, não dava, o filme daqueles rapazes, lhe voltava forte na mente.

Estou lhe preparando, um bifinho amor, com um belo suco de laranja dizia ela.

Buguinho não estava com fome, porém fingia estar faminto.

Servido a mesa, um belo prato e um copo de suco de laranja do jeito que o marido gostava.

Ela puxou a cadeira, estava prestativa. E o perfume continuava no corpo.

Quando ele sentou, chegou sedutora aos ouvidos de novo.

— Tenha paciência, logo passa meu mal estar, e poderemos ser um do outro.

Ele sentou, deu um sorriso para ela. E lançou a pergunta pra esposa.

— Amor, busca aquele crochê que você está fazendo, eu quero ver.

Ela achou estranho a pergunta, Buguinho nunca ligava pra isto.

— Qual?

Ele respondeu que era aquele que parecia uma blusa verde. Ela foi.

Buguinho precisava ser rápido, nunca que ela iria encontrar tal crochê precisava tirar uma dúvida que tinha. pegou rapidamente a comida do prato e colocou numa sacola. Ela falava lá dentro.

— Engraçado, eu não encontro aqui onde deixei.

Buguinho pega o suco, vai na cozinha e joga pelo ralo da pia.

Volta com um restinho no copo, somente.

— Nossa amor, eu não consegui encontrar! Ele raspava alguns grãos de arroz do prato fingindo comê-los

— Amor, tenho que te confessar algo. Disse Buguinho. Eu derrubei um pouco de sangue da roupa nele, e tive que deixar lá pra lavar. Me perdoa?

Ela olhou brava pro marido. E tentava entender a brincadeira sem graça dele.

— Calma amor, só lhe quis fazer uma graça. A propósito a comida estava ótima!

Ela juntava a louça e disse.

— Toma todo o suco amor.

Ele falou: — Claro. E colocou o restante na boca, ela ficou observando ele tomar.

Ao ir pra cozinha, ela disse: — Vamos dormir cedo amor, pois estou bastante cansada.

Buguinho fez tal como a Mercedez o ordenara.

Deitou na cama, e o sono veio rápido, logo roncava de modo leve.

Mercedez esperava. E ele roncava de modo normal.

Ela se levantava da cama, vestia uma roupa que Buguinho não conhecia, cobria bem a bela lingerie que vestia por baixo.

Buguinho esperou a porta fechar para parar o fingimento.

Foi e viu a esposa sair sorrateira, já era madrugada.

O carro na esquina estava os três jovens homens feitos que levavam a sua esposa para alguma noitada.

Buguinho saiu bravo para dentro da câmara fria do seu açougue. Iria adiantar o lado, para o próximo dia. Entrou e começou a desossar um traseiro, com uma faca tipo punhal.

Separava as partes do boi, com a destreza de um açougueiro. Coxão duro, Patinho, Coxão mole, e com todo o cuidado a Alcatra. Limpava o suor do nervo que passava de saber que a mulher estava se divertindo pela madrugada.

Ao terminar olhou no relógio, precisava ser rápido, trocar de roupa, se limpar, esquentar-se e aguardar Mercedez voltar.

+++

No outro dia, a mesma dissimulação de sempre. Ela com um olhar de felicidade, fazia o café sorrindo, mesmo tendo voltado tarde. Buguinho demorava mais um pouquinho na cama, olhando para o teto, pensando como proceder neste dia.

Ao abrir o açougue, olhava os olhares para cima, Mercedez olhava ao horizonte, outro rapaz, certamente, teria que roncar de modo mais simétrico, para ela não desconfiar?

A cada corte de bife pra algum cliente, várias sensações lhe passavam. Seria o seu ajudante, mais um da lista de Mercedez? Tinha uma desconfiança, dormia como um porco todas as noites e a boca seca. Entre a desconfiança e o saber era uma ponte que ele não gostaria de atravessar.

Afiou o seu punhal e subiu.

Fim

1900 palavras.

Gênero Suspense

Blog do Wal

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