Contos Waldryano

Contos Lucas José

Viagem no tempo (Chapeuzinho Roxo)


Viagem no tempo ( Chapeuzinho roxo )

Mais um dia de trabalho, preciso me apressar, para buscar a minha filha na casa da tia. Hoje as gorjetas foram boas, certamente poderei inteirar para conseguir pagar o colégio dela. Pelo menos este mês esta garantido. No entanto preciso de mais dinheiro.
— Sua pele não esta nada boa, estas olheiras aí afugentam clientes, dizia Margo. Trazendo um balde com água gelada.
— Vai, enfia esta cara aí, Pifa, para dar uma esticada nesta cara, pois a próxima é você. Odiava a Margo, estava com os meus vinte e três anos, e precisava sair desta vida urgente.
De rosto lavado, tomei uma dose de vodca, para ficar leve. E vesti o meu traje de trabalho.
Após. Coloquei um sobretudo preto. A música da minha apresentação começou a tocar.
Veio Margo, outra vez retocar um batom que tinha ficado meio borrado, e jogou um pouco de Glitter, no meu cabelo.
— Vai lá Pifa, domina este palco que é teu, aproveita que a tua carinha ainda é bem requisitada.
Dei uma risadinha sem graça, e disse: — Só mais um golinho, hoje preciso dobrar estas gorjetas.
Nem liguei para o olhar de reprovação das que eram as coadjuvantes. Beijei a foto da minha filha coloquei no meu peito, embaixo do sutiã e fui, precisava ser a Chapeuzinho Roxo, mais uma vez para aqueles marmanjos e precisava - e como - de dinheiro, e é do bolso deles que viria.
A música era inebriante, eu começava a observar, qual seria o pato da noite.
Alguns grupinhos de pobretões, sempre tinha, precisava em focar na grana, e não era por ali que encontraria.
Um homem misterioso começou a me observar.
No poli dance, começava a tirar vagarosamente as luvas, já aparecia o pato que eu tanto queria. Um que pelo entendi, na conversa inebriada a bebida, estaria se casando. Seria eu o presente de despedida de solteiro.
Olhei de longe, Margo fazia sinal que era para ele que precisava dar as minhas atenções.
O homem misterioso voltou a me olhar, desta vez vi bem, parecia que este tinha lentes de contatos, o olho dele era de gato.
Pera, o olho dele começava a transluzir, ao apagar e ascender das luzes, e quando a fumaça começou a tomar conta do show. Ele desapareceu.
Estava começando a ver coisas, provavelmente exagerei na bebida.
Já estava com o pato fisgado, pegava na sua gravata, rodando aqui e ali, era um pato novo, bonito, até me animei com ele pense?
A Margo frenética, pediu para uma ajudante vir buscar as gorjetas, eu olhava para ela com olhar de consternação, era muito dinheiro, e eu precisava do meu.
Desci até o chão tirei o meu sobretudo, estava no ponto alto da apresentação. Rolava no poli dance. A Margo, fez o sinal de parar, disse em meio aos códigos. Que conseguira Mil reais de gorjeta.
Engraçado? Não parecia tanto.
Dei uma mordida no queixo daquele desajeitado. E a música acabou, vesti o meu sobretudo, a tempo de dar uma leve chicotada no bumbum daquele depravado. — Aproveite a sua noiva, hoje, pequeno. Disse e sai em meio a aplausos e frenesi.
Margo veio e me disse:
— Pifa de onde veio tanto dinheiro, tome o seu, hoje você foi Diva!
Diva eu? "Bicha invejosa." Sorri peguei o dinheiro e sai daquela boate, afim de descansar, e buscar a minha filha Lorena, de seis anos, que estava na casa da tia.
Já tinha inventado milhares de desculpas para ela. Chegar às 2 da manhã para buscar a filha era muito arriscado.
Adentrei no beco escuro que morria de medo, porém era o modo mais rápido de chegar na casa da tia e desta vez a minha amiga, que sempre me acompanhava não estava. Era eu e Deus naquela escuridão.
Abri a bolsa e vi que o batom estava lá.
Apertei, era bem forte a voltagem, se alguém chegasse perto levaria um choque que derrubaria um boi, assim disse o vendedor, quando comprei.
— Seria hoje o dia de usar?
Guardei o dinheiro na meia calça embaixo do sapato. Até mesmo a Margo "Laza", poderia vir querer tirar mais de mim, pensei.
Estava completamente só naquele beco.
Apressei o passo, uma quadra e já subia buscar a filha.
De repente, uma escuridão. Um bendito apagão, logo naquele momento.
Olhei para trás era ele. Estava me seguindo.
Eu corri.
Olhei para trás, ele tinha sumido, o homem com olho de gato.
Suava frio.
Voltei a olhar para frente, e tropecei caindo no chão, rasgando a meia calça.
Senti ele me segurar.
O meu braço estava sendo machucado, peguei da bolsa que caíra ao chão, o batom e apertei.
Tentava alcançar o moço que disse:
— De nada adianta comigo isto moça. Preciso de você e agora.
Abriu uma fenda de luz, ele puxava-me com força para aquele espectro, que parecia sugar as coisas próximas.
— Não moço, pelo amor de Deus não! É dinheiro? Tirei o sapato arranquei da meia calça. Era bastante, ele precisava me liberar.
— Tome! Eu tenho uma filha, por favor não!
De nada adiantou, ele me puxou e ambos estávamos indo para aquela luz forte, e assustadora. 
...
De olhos fechados, senti que estava em um local silencioso, em segurança, era uma espécie de hospital.
Tentei abrir meus olhos, no entanto não conseguia, estava conseguindo ouvir ao meu redor, todavia abrir os olhos não consegui. O clima era agradável. Estava estática e imóvel.
Senti um abrir de porta, bem sutil, mas senti.
— É esta a mercadoria? Realmente parece-me um espécime da melhor qualidade. Certamente será algo bem apreciado.
Mercadoria eu? Comecei me mover de modo involuntário, tentei abrir a boca e gritar, senti um choque no corpo de modo uniforme.
— Ela foi apagada? Parece que esta tendo alguma reação?
Eram duas pessoas discutindo a respeito do meu corpo e da minha pessoa.
Traga ela de volta, gostaria de conhecer a personalidade deste espécime raro.
Os choques aumentaram só tive tempo de pensar na minha filha, realmente estava sem poder me defender.
...
Ao abrir os meus olhos estava estática, tal qual um boneco e havia várias moças do mesmo modo naquele corredor, de várias etnias e nacionalidades, todas jovens e bonitas, com os olhos fechados, porém estáticas de um modo rígido pareciam estatuas e eu estava abrindo os meus olhos, parecia um sonho, ou um pesadelo.
Três pessoas que pareciam flutuar, não caminhavam sim plainavam naquele cenário que lembrava um branco, com luzes sutis azuis no chão. Estavam se aproximando de mim.
Estava com uma roupa de elastano, que deixava-me parecida com uma boneca, sem nenhum atrativo. Dentro daquela redoma de vidro. 
...
— Quero ela mesmo, dizia o jovem, parecia belo, todavia traços de um ser que não saberia precisar se era homem ou mulher.
— Então vamos prepará-la para sua coabitação. Disse o que pareceu-me o comerciante que estava me vendendo para aquele jovem que parecia uma pessoa que estava comprando um brinquedo. O Brinquedo era eu.
Senti os choques no meu corpo novamente, e voltei ao meu estado de dormência, tentei de todos os modos recuar. Mas não pude, era mais forte do que eu aquilo.
...
Acordei estava numa cama muito bonita, olhei para o teto e observei a beleza do local, um lençol de cetim preto e eu estava com uma bela lingerie roxa e com uma touca, sim era o meu arsenal de trabalho.
Olhei para o lado, o jovem agora parecia mais másculo do que outrora.
Ele disse:
— Estou com medo, nunca fiz isto, já assisti na neuronet, porém agora não consigo concretizar e consumar qualquer ato.
Olhei para ele e disse:
— O que estou fazendo aqui.
Sentei na cama e observei que estava além das nuvens naquele local totalmente estranho ao meu mundinho de periferia.
O Jovem me disse: — Você esta no futuro. Eu pedi para manter as suas memórias, queria conversar com você antes do ato.
— Que ato?
A empresa cujo a qual eu contratei a Meretriz, busca moças que iriam morrer de qualquer modo no seu tempo. Não sei se deveria te contar isto, mas para via de fatos no seu tempo você esta morta.
— Morta? Eu estou viva!
Claro que esta viva, a empresa, substituiu você por uma cópia sintética de você, sem prejuízos a tua existência. Aqui você não passa de uma mercadoria. Espero que você não me ocasione problemas, pois posso apagar suas memórias a qualquer momento.
Olhei para aquele jovem e senti que passava por uma espécie de transformação. 
Ele me disse:
— Eu li seus arquivos, antes de adquiri a chance de ter uma noite com você, você morreu de acidente de carro no teu tempo. Assim consta lá.
Porém, há algo que preciso te contar.
— O quê?
— Você só consegue existir nesta colônia, que é uma dimensão a parte, é meio complexo para você entender tal conceito, és dos anos 2000 não é?
— Você não percebeu nada estranho?
Quando ele disse, entendi o que tinha de estranho, conversávamos por telepatia, era muito natural falar daquele modo.
— Eu tenho uma filha eu preciso voltar.
Ele se levantou o corpo dele era belo e esbelto, foi próximo a redoma de vidro e ficou observando o horizonte que parecia nuvens.
— Não sei o que te dizer moça, paguei por você, e preciso usufruir do meu crédito, o nosso tempo esta passando e eu estou com a minha transformação completa, preciso coabitar.

Continua...



Este conto é a continuação de três contos que relatam a vinda deste jovem a tal local, vale a leitura: 
Notas do autor: Este conto é bem complexo de criar e de estruturação, esta em desenvolvimento.

Por Amor, Você Teria Coragem de Ficar Nu Sobre o Sol? (Lucas José)


Eu sei que não adianta mais
Por todos os dias em meus ais
Chorando por ela e nunca mais
A verei novamente não há nada mais

A se fazer, agora é só chorar e sofrer
Essa dor no meu peito que me mata
Esse nó em minha garganta não desata
Eu viverei morrendo, sem ar para viver

Refrão
Mas esta dor, esta dor
De saber que outro usará o mesmo lençol
Que ela usará, me dá um nó
Só de imaginar
E esta dor, está dor, ela e ele, juntos em um lençol
Por amor, você teria coragem de ficar nu sobre o sol?

Eu ficaria nu sobre o sol
Arderia de amor, diante de teus pés
Pintaria a lua de vermelho da paixão
Desenharia constelações
Para te fazer voar até as estrelas
Te daria as estrelas e todo universo,
Só para te amar, por amor...

Refrão 2x
Mas esta dor, esta dor
De saber que outro usará o mesmo lençol
Que ela usará, me dá um nó
Só de imaginar
E esta dor, está dor, ela e ele, juntos em um lençol
Por amor, você teria coragem de ficar nu sobre o sol?


Era uma vez um sonho... (Lucas José)



Era uma vez um sonho...

Era uma vez um sonho
Um sonho de amor que eu sonhei
Um poeta e um anjo
Uma história de amor que imaginei
Ela parecia uma princesa
Seu coração eu amei
Ela tinha a voz de uma sereia
Uma vez sonhei que a beijei

Era uma vez um sonho...

Era uma vez um sonho
Um conto de fadas
Uma poesia de amor
Um anjo com suas asas
Que tocava uma linda melodia
Com o doce toque da harpa e da lira
No paraíso e em seus campos floridos
Eu olhava o brilho de seu lindo sorriso

Era uma vez um sonho...

Era uma vez um sonho
Um poeta que se apaixonou
Por um lindo anjo
O coração do poeta amou
E sonhou com um doce beijo
Daquela que era sua amada
Com o brilho de seus olhos ele sonhou
Mas foi tão triste quando acordou

Era uma vez um sonho...

Era uma vez um sonho
Uma estrela que brilhava no céu
Uma rosa orvalhava amor
Uma noiva rumo ao altar, e seu véu
Do branco mais puro tinha a cor
Um doce sonho de amor o poeta sonhou
Mais doce que o mel era seu amor
Mas chorou quando seu anjo para longe voou

Era uma vez um sonho...

Era uma vez um sonho
O poeta e um anjo
Era uma vez um sonho
O poeta e um anjo
Era uma vez um sonho
O poeta e um anjo
Era uma vez um sonho

Era uma vez um sonho...


Eu Sonhei com um Mundo (Lucas José)

Eu tive um sonho
Sonhei com um mundo
Um mundo de paz e amor
Com jardins floridos e cheios de cor
Com pessoas boas 
E de bom coração
Que lutavam pela vida
A ninguém faltava comida

Era um povo unido, todos se ajudavam
Sonhei com um mundo em que todos se amavam

Refrão
Então abri a janela
E gritei para todos...
Somos humanos, somos irmãos
Somos obra prima da criação
Vamos nos unir e levar o amor aos nossos semelhantes
Porque nesta terra somos apenas viajantes

Mas ninguém acreditou
Em minhas palavras de esperança
Começaram a fazer guerras
Enchendo de sangue a terra
A fome se espalhou
E a natureza gemeu
Inocentes morriam e ninguém sentia
Empatia, a vida que expira dia-a-dia

O mundo se tornou um caos
Tudo era dominado pelo mal

Refrão
Então abri a janela
E gritei para todos...
Somos humanos, somos irmãos
Somos obra prima da criação
Vamos nos unir e levar o amor aos nossos semelhantes
Porque nesta terra somos apenas viajantes

Eu gritei com toda fé
Olhem só as lápides
Elas guardam nossos entes queridos
Elas estão com nossos amigos
Tomem consciência que a vida
É só uma passagem aqui na terra
O que receberemos no final é a morte
Bom ou mal, rico ou pobre, todos temos a mesma sorte

Mas para quem tem fé e esperança
O amor ressuscita o sonho de uma criança

Refrão 2x
Então abri a janela
E gritei para todos...
Somos humanos, somos irmãos
Somos obra prima da criação
Vamos nos unir e levar o amor aos nossos semelhantes
Porque nesta terra somos apenas viajantes

Sonhei com um mundo
Em que todos se amavam...


A Estátua Viva (Lucas José)


“A POBREZA NÃO É PERPETUA, O PROBLEMA É SER ESTATUA...”Cesar Jihad (Vulto Madhiba)

Perguntas... A vida é recheada de perguntas sem respostas e o porquê a vida e a sorte de cada pessoa é diferente é outra pergunta a qual também não há resposta.
A vida... Muitas pessoas vivem sua vida de acordo com seu destino caracterizado a sua sorte, e se a estrela brilha com pouca ou muita intensidade a questão é que devemos superar as dificuldades sozinhos. Como a vida de muitos, a minha não foi nada fácil. Meu nome é João Pedro, foi o que me disseram quando me encontraram, era um bebê com uma correntinha em volta do pescoço escrita João Pedro, e com minha data de nascimento, tenho essa correntinha até hoje. Eu sou órfão, nunca conheci meus pais biológicos, meus pais adotivos eram moradores de rua, e desde pequeno eu ia pedir dinheiro por entre os semáforos. Já fui espancado, xingado, já cuspiram na minha cara, os garotos da minha idade, de pais ricos, sempre me batiam por morar na rua e usar trapos velhos. Com muito custo eu levava algum dinheiro para meus pais, era tão pouco que não dava nem para matar a fome; ao olhar o rosto das pessoas as quais eu pedia uma moeda, algumas eram generosas e tinham um olhar meigo e triste, senti que queriam fazer mais do que dar uma moeda, porém, outras pessoas eram ríspidas e me olhavam com desdém, como se eu fosse um lixo ou um delinquente juvenil.
Como já disse, meus pais adotivos eram moradores de rua, nós sempre dormíamos num beco de uma rua sem saída. Já fomos roubados por outros moradores de rua e por ladrões que vinham roubar o pouco que a gente tinha. E muitas vezes, de tanta fome, ficávamos à espreita das casas esperando que seus moradores jogassem o lixo fora para que pudéssemos aproveitar os restos de comida e por sorte havia muitos restos que jogavam fora em desperdício, mas se não fosse por isso, já teríamos morrido de fome, o que as pessoas desperdiçavam, nós aproveitávamos.
Uma certa noite, um homem que estava drogado queria roubar o nosso pouco, meu pai disse a ele para que voltasse outro dia que teria mais dinheiro, que aquelas moedas de cinco centavos eram para comprar o único pão que ele me daria, mas o homem furioso não queria saber e tirou sua arma do bolso, atirou nele, pegou as moedas e fugiu. Minha mãe gritou de terror e juntos, nós chorávamos, no dia seguinte a polícia retirou o corpo do chão e nunca mais o vimos, eu ainda era criança quando isso aconteceu.
Nunca tive brinquedos, o que eu tive foi uma imagem de Cristo que uma moça muito generosa me deu, o nome dela é Maria, ela era uma pessoa muito boa, pagou um almoço para minha mãe e eu.
Quando completei dezessete anos, minha mãe adoeceu, corremos pra tudo que é hospital, só um nos atendeu, mas disseram que não era nada com que devesse se preocupar, que era uma dor de barriga passageira e a febre ia passar, mas isso custou a vida dela, depois descobri que era uma intoxicação alimentar grave. Um moço pagou o enterro para que ela tivesse pelo menos uma morte digna.
Eu fiquei tão deprimido, me perguntava o porquê a vida era assim e chorava muito... Foi quando olhei para a imagem de Cristo e dando a imagem para a primeira pessoa que encontrei, era um senhor pai de família, saí correndo para me jogar de uma ponte, eu não tinha mais esperanças... Foi então, prestes a me jogar que ele falou comigo...
- Espere! – Disse o senhor pai de família, ele tinha me seguido.
- Esperar o quê? Não há mais esperança para mim.
- Sempre há esperança, essa imagem é sua?
- Não mais, agora é sua, fique com ela.
- Estou devolvendo, você precisa mais que eu, agora desça daí, vamos conversar, talvez eu possa te ajudar.

Eu não tinha nada a perder, desci e fomos a um café na Praça da Sé onde contei toda minha história. Ele ficou espantado e decidiu me ajudar, ele disse que não podia fazer muito, mas que conhecia um amigo que trabalhava como estátua viva e se eu aceitasse a proposta de trabalhar assim, ele me daria um teto para dormir.
- Qual é o seu nome, perguntei a ele.
- José, disse-me ele com um sorriso sincero no rosto.

Foi assim que comecei a trabalhar, o trabalho era digno, todo dia eu me pintava e até me fantasiava de personagens, ficava parado como estátua e esperava alguém jogar uma moeda. Eu começava às 11:30 da manhã e ficava até às17:30 da tarde na Praça da Sé trabalhando como estátua viva. As crianças amavam tirar fotos, os personagens que mais faziam sucesso era o de pirata e o de anjo.
Já cheguei a trabalhar em eventos como aniversários infantis e festas de casamentos.
Fiz amizade com outros artistas de rua, um mágico que se intitulava “O Místico”, um músico de nome Carlos e uma pintora de pop art contemporânea chamada Isabel, todos eles são muito bons no que fazem.
Agora eu tinha uma nova vida, era um artista, um artista de rua.
O pai de família José era um homem de palavra, me deu um teto para dormir como prometeu. Sempre depois do trabalho eu ia para casa dele, e eu gostava de brincar com as crianças, ele tem dois filhos, um menino e uma menina, o Miguel e a Sara. Nós gostávamos de montar quebra-cabeças e lembrando que a vida é um grande quebra-cabeças a ser solucionado. A gente termina de montar o quebra-cabeças da vida quando a morte chega, aí só resta as lembranças...
Ana é a mulher de José, ela faz uma comida excelente, e lembrar que na rua eu passava fome, frio e agora eu como comida de qualidade e durmo como um bebê bem quentinho por baixo do cobertor. Tenho muito a agradecer a José, ele tem uma biblioteca e deixa eu ler muitos livros, eu gosto de ler Álvares de Azevedo, Edgar Allan Poe, Shakespeare, John Keats, a Bíblia e entre outros...
No aniversário do Miguel, eu fiz uma surpresa para ele, fui de super-herói com capa e tudo, mas a cor era sempre a mesma, cinza como a estátua viva.
O menino adorou a surpresa, gostou tanto que até pediu que eu ficasse daquele jeito todos os dias e que o protegesse dos pesadelos.
Eu estava parado em frente à janela quando uma moça se aproximou, peguei em sua mão e ofereci uma rosa, ele sorriu e seu rosto ficou corado.
- Você é o João Pedro? José me falou sobre você.
- Sim, é meu nome e você... É da família?
- Sim, sou sobrinha dele, me chamo Priscila, me fale sobre você.
- Eu, bom, eu posso dizer que minha vida é representada por cores, o começo da minha vida era dominado pelo cinza, tive uma infância cinzenta, sabe, não entendia o sentido da vida. Quando conheci seu tio, minha vida ganhou cor, eu soube o verdadeiro significado da frase: “Lar, doce lar”, e me sinto como sendo da família e por fim, quando te vi, minha vida ganhou brilho com o brilho do seu olhar, mas me fale um pouco sobre você.
- Eu sou atriz, faço pequenos papéis em teatros, estou esperando a oportunidade de ser protagonista e também a procura de um super-herói para me salvar.
Nesse momento nós quase nos beijamos, mas, fomos interrompidos por José que vinha avisar que estava na hora dos parabéns.
Eu mantive contato com Priscila e em pouco tempo estávamos namorando.

Em um dia de trabalho tudo parecia normal, até que uns vândalos vieram e começaram a me espancar e destruir meu suporte de trabalho, os policiais demoram para agir, cheguei em casa ferido e a família do José cuidou de mim. São dias assim que fazem a gente desanimar, mas não era isso que iria me fazer desistir; as pessoas vêm e vão muito preocupadas e estressadas com a vida, alguém tem que levar cultura e diversão para elas, mas, o maior prêmio é receber um sorriso de uma criança, isso não tem preço.

No dia seguinte voltei a ativa, estava contente por refletir na noite anterior e fui ao trabalho de bem com a vida; eu estava andando na calçada quando percebo que há algo escrito na parede, era uma bela frase que me fez refletir: “A POBREZA NÃO É PERPETUA, O PROBLEMA É SER ESTATUA...”
Cesar Jihad (Vulto Madhiba)

- Se alguém não faz nada para enriquecer, essa pessoa é uma estátua, a pobreza não é para sempre, basta trabalhar, mas uma estátua não trabalha porque está sempre parada, esse é o problema. Só que é até irônico porque eu trabalho como estátua viva. Uma pessoa pode ser uma estátua por não trabalhar, mas, e uma pessoa que trabalha como estátua pode enriquecer? Talvez não com dinheiro, mas sim, com dignidade, mesmo que eu não seja rico, pelo menos faço algo para ganhar dinheiro e mesmo parado como uma estátua, estou trabalhando.

Continuei andando até me deparar com uma legítima estátua, ela parecia muito com a Priscila. Uma mulher artista de rua começa a cantar uma música: Rosa, de Pixinguinha. E de repente, me pego dançando com a estátua enquanto a música segue em um ritmo penetrante e delicado, e em questão de segundos a estátua se transforma em Priscila e, fico a dançar com ela até a música terminar...


(Artista de rua) - Tu és divina e graciosaEstátua majestosa do amorPor Deus esculturadaE formada com ardorDa alma da mais linda florDe mais ativo olorQue na vida é preferida pelo beija-florSe Deus me fora tão clementeAqui nesse ambiente de luzFormada numa tela deslumbrante e belaTeu coração junto ao meu lanceadoPregado e crucificado sobre a rósea cruzDo arfante peito teu...

Quando a música acaba, eu estou olhando fixamente para os olhos da estátua, percebo que em sua mão há um papel, mas, eu não paro de olhar para os olhos da estátua, até parece que através de seus olhos há um mistério que vai muito além da compreensão humana, eu sinto como se pudesse ver a alma dela através de seus olhos. Espera! Uma lágrima cai do olho da estátua, oh céus! Uma lágrima caiu do meu olho, não pode ser! Eu... Eu estou... Me vendo parado olhando para a estátua, mas isso não é possível! Eu estou dentro da estátua! Não consigo me mover, mas o que está acontecendo?! Estou vendo... Eu estou parado, meus olhos perderam o brilho, perderam a cor, meu rosto está pálido, é como se... Como se eu estivesse morto! Até parece que minha alma saiu do corpo para encher a estátua de vida, uma legítima estátua viva! Mas não consigo me mover, não! Meu corpo caiu no chão! Estou morto! Como faço para sair de dentro desta estátua?!
Aquela artista de rua vai cantar outra música: Ressuscita, de Damares. E eu posso ver muitas pessoas que chegam para ouvir a doce voz dessa artista talentosa, essa canção me faz recordar de momentos tristes da minha vida, quando eu passava fome com meus pais adotivos, quando apanhava dos garotos maiores, quando tentei suicídio... Pensava que era o fim, mas essa música também me faz lembrar dos momentos bons, quando José me ofereceu um teto para dormir, quando brincava com as crianças, quando a família do José cuidou de mim, quando conheci a Priscila, posso ouvir a canção que reconforta minha alma.

(Artista de rua) - O vento forte tem soprado, o medo quer te sufocar
A noite escura te apavora, o sol pra ti não quer brilhar
Não vejo mais o teu sorriso, parece que o sonho acabou
Estão na cova os teus projetos, a esperança terminou

Mas lá vem Ele na estrada, na sua casa vai chegar
Vem pra ressuscitar teus sonhos, a pedra não vai segurar
Ele te chama pelo nome, vem para fora amigo meu
A história não termina assim, tu és meu filho e Eu sou teu Deus

Ressuscita, ressuscita, a esperança que morreu
Ressuscita, ressuscita, Eu sou Jesus filho de Deus...

Abri meus olhos...
- Mas o que foi que aconteceu? Vejo o céu azul, estou deitado e me levanto, a estátua sumiu misteriosamente...
- Mas o que é isso em minha mão? É um bilhete de loteria! Como isso veio parar aqui em minha mão?

No dia seguinte descobri que o bilhete que parou em minha mão misteriosamente foi sorteado, eu estava milionário!
Depois disso agradeci a José e a sua família por tudo que fizeram por mim, mas já era hora de partir; comprei minha casa própria, comecei a estudar e hoje faço faculdade de artes plásticas, tive a oportunidade de fazer teatro com o papel de estátua viva. Priscila finalmente conseguiu ser protagonista. Eu me casei com Priscila e tivemos um filho, ele nasceu no dia do natal, então preferimos dar o nome de Jesus do Nascimento.
E toda vez que eu olho para a imagem de Cristo, eu me lembro da Maria que era uma boa pessoa, e me lembro de meus pais adotivos que se foram.
E hoje Deus me presenteou com uma família linda. Quando tentava o suicídio eu pensava que era o fim, mas não era, eu não tinha nada, e hoje tenho tudo e sou feliz. Eu tenho amor, tenho uma família e tenho um lar.

E assim eu volto a fazer perguntas... A vida é recheada de perguntas sem respostas e o porquê a vida e a sorte de cada pessoa é diferente é outra pergunta a qual também não há resposta.
Tudo porque... 

“A POBREZA NÃO É PERPETUA, O PROBLEMA É SER ESTATUA...”Cesar Jihad (Vulto Madhiba)

O Sentido da Vida (Lucas José)


Eu estava correndo para o trabalho quando algo caiu em minha direção, parece algo vindo do céu, era uma garrafa, e nela estava escrito: ‘Sentido da Vida’, eu bebi um pouco daquele líquido inebriante, era uma mistura de doce e amargo. Senti-me entorpecido e de repente uma força misteriosa me levara para o ‘além da realidade’. Viajando através do espaço acabei-me dando de cara com um ser misterioso, eu não conseguia ver-lhe o rosto, era todo escuro, mas teus olhos eram como estrelas que brilham sobre o infinito, teus cabelos escuros e grandes, parecia um gigante com aquela túnica à cor da galáxia.

- O que é você?
- Eu sou o guardião da verdade absoluta.
- Quais verdades?
- Todas! A verdade de tudo!
- Você tem nome?
- Não! Não preciso de título para ser intitulado, nomes para ser nomeado ou apelidos para ser apelidado, sou apenas um guardião e esta é minha condição.
- Posso te fazer algumas perguntas?
- Pergunte o que quiseres.
- Qual é o sentido da vida?
- Quer encontrar o sentido da vida?! Então viva a tua vida e encontre teu próprio significado para viver.
- O amor existe?
- Amor? É o que os humanos dizem, eles dão título e significado para todo o significante. Há uma essência para cada bom sentimento que se traduz em ações e fatos.
- Deus existe?
- Não posso revelar; isto o teu coração dirá.
- O que é o ódio?
- O ódio é a ausência de amor, o ódio não existe, o que existe é a essência, a ausência dessa essência natural causa o não-natural.
- O que é essa essência?
- É a essência da vida, e a ausência dela é a morte! Tu existes porque tens uma essência, e tudo que existe é porque tem uma essência. O ser humano vive procurando encontrar o sentido da vida, mas esquece-se de viver a própria vida. O ego humano não aceita o sentido da vida alheia e isto causa um caos total!
- Mas por que diz isso?
- Te proponho a ver com teus próprios olhos.
- Ver o quê?
- Olhe! A tua amada terra, humano. – Materializa-se a imagem do planeta terra dentro de uma esfera.
- Como isto é possível?
- Nunca julgues o que não se pode ver, em um espaço longe da imaginação do ser humano, tudo é possível! Olhe! Os homens lá embaixo, só vivem em guerras causadas pela política, religião, e falta de amor ao próximo! Algo que era para trazer a paz, o amor, a razão, o bom senso, é o que está causando a guerra, o ódio, a falta de discernimento e um mau senso. Muitas pessoas viveram no mundo pregando a paz e o amor, mas parece que as pessoas não entenderam o que aqueles grandes sábios queriam dizer ao mundo.
Os pais matando os filhos, os filhos matando os pais, jovens que se perdem nas drogas, crianças cada vez mais maliciosas, doenças transmitidas de todas as formas, fome! Injustiça! Preconceito! Famílias se destruindo, casais se separando, mulheres abortando, rios, ar, ruas poluídas e a mente do homem ainda mais poluída, a maldição do dinheiro, a ilusão do poder e o poder da ilusão! As armas que no começo eram usadas para a caça, agora são usadas para caçar o próprio caçador, a perdição do homem é o próprio homem. Tanto ódio só gera mais ódio! Quem está ausente de amor é porque não conhece a força do verdadeiro amor, o amor que é mais poderoso, poderia resolver tudo isso, mas agora imagine um lugar sem amor, que está ausente de amor, o amor é poderoso, mas a ausência de amor é uma bomba atômica!
- Eu sei que meus irmãos terrestres estão precisando de amor, de união, de paz, mas porque está me dizendo tudo isso?
- Estou lhe dizendo isso porque não lhe trouxe aqui para passeio, tu procuras o sentido da vida externamente, mas estavas dentro de tu o tempo todo. Sou o guardião da verdade, está é minha condição! Não tenho como resolver os problemas da humanidade, mas tu podes, se quiseres, tu podes.
- Mas quem sou eu para mudar o mundo, eu não sou ninguém, sou o menor dos grãos de areia, sou a menor das gotículas de água, sou o menor pó de estrela, sou o menor dos seres humanos.
- Atitude, coragem, fé, otimismo, amor e uma série de outros títulos poderiam ser usados neste contexto, o que importa é que sejas humilde, e não desista de teus sonhos, não desista da vida, se tu queres de verdade, tu conseguirás, porque um sonho deixado de lado não vai passar de sonho, mas quando tu corres atrás do que acreditas, o sonho passa de sonho para realidade. Então vai lá e mostre que com cada grão de areia se faz ilhas, com cada gotícula de água se faz oceanos e com cada pó celeste a estrela se faz brilhante como o sol. Seja grande, o mais grande que puder, de espírito! Vai lá e mostre o verdadeiro significado de viver.
Sabe o que me faz acreditar na melhora do ser humano?
- O quê?
- É a essência desse título chamado amor! Eu não tenho muito a fazer, então, gosto de ver o que os humanos estão fazendo. Gosto de ver o sol aquecendo a terra, a chuva molhando as plantas fazendo uma orquestra de sons temperados, cada estação do ano, a neve, o orvalho, o desabrochar de uma rosa, as folhas se soltando, o vento carregando cada pétala de um campo florido, a aurora boreal, o dia que nasce bela-mente a cada canto do planeta, a noite dos apaixonados, as núpcias dos casais idolatrados, a valsa dos planetas sobre o cosmos, o movimento da Via-Láctea, a imaginação fértil dos poetas, a sabedoria dos sábios, a teoria dos filósofos, a busca incessante dos cientistas à procura da verdade, cada abraço apertado, cada sorriso sincero, cada olhar meigo, cada beijo secreto.
Há uma infinidade de coisas maravilhosas a serem vistas pela galáxia, há uma infinidade de coisas boas no mundo, mas o ser humano não sabe aproveitar. Eu torço por ti, meu amigo, vai, eu acredito em ti... Agora tu precisas ir... Adeus...
– O guardião se desmaterializou. E não sei como, mas voltei do ‘além da realidade’, nossa! Isso foi surreal!
Eu estava de volta à terra, pude novamente respirar o ar e sentir a vida, sentir a essência da minha vida. Perguntei a mim mesmo se Deus existia e meu coração disse que sim porque estava sentindo a força do Amor Divino em mim. E mesmo decepcionado com meus irmãos terrestres, eu ainda estava cheio de amor para com a humanidade, e cheio de dúvida sobre o futuro do futuro da humanidade, será que as crianças de hoje cuidarão do planeta amanhã? Deus existe? Sim! Este é o sentido da vida, aliás, quem mais poderia ter criado este colosso que é o universo? Só Deus para conhecer teus mistérios.
Percebi que eu tinha uma missão no mundo, algum propósito maior para o bem da humanidade, quero deixar no mundo meu legado e ser lembrado por algo bom que fiz no mundo, esta é a minha meta, este é meu sonho, mostrar o amor ao mundo e resolvi começar subindo um degrau de cada vez, tudo a seu tempo, na humildade de minha humanidade interior, fazer o bem e praticando o amor começando pelo meu trabalho. 

Viagem no tempo | Turbulência

Turbulência


Sempre guardei dentro de mim uma fobia, e sempre fechava os olhos na esperança do medo passar, nunca passava, ao tentar esquecer o medo se tornava insuportável, uma pessoa adulta sofrendo deste tipo de medo e ainda sendo um Psiquiatra era algo simplesmente insustentável.

Neste exato momento estou sentado numa confortável poltrona de primeira classe rumo a minha cidade destino Nova York.
Ainda estou no chão, eu estou suando e não consigo disfarçar.

A minha poltrona é individual e isto é um alívio, todavia, olhares distantes parecem me observar. Sinto-me numa grande jaula, sim, este lugar é uma jaula. Estou trancado e serei arremessado a poucos minutos ao meu maior medo: A altura.

A aeromoça muito simpática conta como utilizar a máscara de oxigênio do avião.




Não adianta querer fugir Walter, sou eu rumo ao caos, a fobia e ao desespero. Preciso ter o auto controle, que falo todos os dias, seja nas minhas palestras, seja aos pacientes, ou até mesmo nos meus inúmeros Bests Seller que já escrevi. Confesso sou uma mentira. Medo é o que estou prestes a sentir.

Terminando a demonstração, e sentindo o sufocar deste objeto de tortura. acerto-me na poltrona, observo o meu relógio Swatch. 
Nova York estaria com seus uma temperatura agradável e a hora era uma hora antes da que eu vivo em São Paulo Capital.

Meu Senhor! Sem chances, as turbinas estão sendo ligadas, segura ai que iremos subir!
Nas poltronas da frente, um polaquinho empolgado, falava: Uh Rul! Sua idade provavelmente uns nove anos e papagaiamente trajado com o uniforme do time de baseball New York Yankees.

Fecho os olhos, vou encarar esta, com olhos fechados. Ainda no chão. O barulho é insuportável, e aquela criança a frente empolgada, deixando-me mais apavorado ainda. Com os olhos fechados, sou interrompido do meu transe, com a bela aeromoça.

"Tudo bem moço?" Pensei "Obrigado pelo moço, já passei dos quarenta anos" A fobia de altura precisava ser controlada, com o corriqueiro e normal, estaria eu dando pinta de ser um medroso? Imaginei as manchetes, "Avião é atrasado, e causa o caos no aeroporto de São Paulo Capital, por um Psiquiatra que teve um surto" Seria realmente o meu fim.

"Tudo bem sim querida, por favor uma água com gás!" A aeromoça toda atenciosa veio prontamente com a água, coloquei no porta latas e ela disse:

"Por favor afivele o cinto que iremos decolar" Coloquei o cinto e sentia-me desconfortável, ela desapareceu da vista, e eu retirei aquele objeto de tortura. Pior coisa que fiz, mas fiz.




Pense você que esta aí do outro lado sentadinho confortável lendo isto o quanto eu sofri! Eu segurei com todas as minhas forças aquela poltrona, e obrigado a ficar vendo a diversão daquele menino, a guria do outro lado escutando música o Senhor olhando a janela e os meus tímpanos prestes a explodir. Sim, tinha aquela sensação de pressão, e o avião estava decolando.

Fechei os olhos e fiquei em companhia com a escuridão e o barulho. A água que que acabara de tomar voltou. Tive que vomitá-la naquela sacola plástica.

Já no alto, veio a atenciosa aeromoça dizendo: "Relaxa, já passou" Eu fiquei olhando as expressões dela, que mesmo tão atenciosa, esboçava um sorriso de desdém, realmente eu estava sendo patético, isto é fato.

Olhei na janela, outra burrice da minha parte. Os prédios eram pequenininhos, e eu estava acima das nuvens. A velocidade, sei lá deveria de estar rápido, todavia parecia que plainava tal qual uma gaivota em pleno mar, porém estava acima da civilização.

A aeromoça novamente, cutucou-me.
"Realmente moço, você esta bem? Quer um analgésico?, ou um remédio para o estomago?"




Eu disse àquela, exagerada e prestativa moça. "Estou bem sim, obrigado, boa dica, do remédio, mas eu sou um profissional da saúde, Psiquiatra, tenho algum remédio na minha bolsa, obrigado por sua preocupação" Nada sábio as minhas palavras, mal saberia eu que seria motivo de chacota nas coxias daquele avião, O Psiquiatra que esta dando pith, realmente era eu aquilo.

Abri a minha bolsa, e dei graças a Deus por ter deixado algumas amostras grátis dentro dela, desembolsei uma da boa, que era um derruba leão, mesmo sabendo que poderia ter algum efeito colateral tomei.

Até surtir o efeito liguei meu Kindle e comecei a revisar a minha apresentação, sobre Dejavu e viagens no tempo, era uma perspectiva complexa de traumas que um estudo feito por mim demonstrava os resultados. Ao ler aquele artigo, que já conhecia cada linha de cor e salteado, o sono provocado foi chegando. E desliguei, o leitor digital, com aquele efeito teria oito horas de sono tranquilo? Claro que teria!

...

Desafiando todas as leis da física estava eu andando nas asas daquele avião.




Olhava as nuvens abaixo, o vento batia no meu rosto, e precisava equilibrar-me com todas as forças para não cair daquela asa, olhava o piloto que simplesmente sorria para mim. Aquela aeromoça me chamava para dentro com aquele sorriso polido e forçado.

E eu estava equilibrando-me com os braços abertos a ponto de cair, o piloto fez outro sinal parecia que dizia que continuaria com a rota retilínea, e o seu sorriso era de serenidade, já a aeromoça fazia sinais agora desesperados, para que eu voltasse pra dento do avião, pois era o trabalho dela, a integridade dos passageiros. E eu imobilizado, tentando lembrar cada vírgula da minha apresentação, todavia estava totalmente parado.

O formigamento passava nas minhas pernas, o avião cambaleava agora. E parecia que eu iria cair. A aeromoça abria a janela, e agora era ela que estava se arrastando pela asa. Meus pensamentos lógicos estavam todos indo por água abaixo: "Como?" Ela ou estaria toda desintegrada, por conta da velocidade, ou já estaria em alto ar. "Como aquela moça conseguia ser tão forte?" Eu travado de medo naquela asa.
Ela chegou e segurou nas minhas pernas.
...

Acordei.

Era realmente a aeromoça, que estava segurando nas minhas pernas. Com um pequeno corte na testa, caída de olhos fechados. Antes continuasse naquele sonho.

Estávamos passando por uma turbulência. As pessoas estavam desacordadas, e as máscaras de oxigênio estavam caídas, não sei se o remédio diminuiu minha frequência cardíaca, deixou a mim suportável aquela situação, coloquei a máscara de oxigênio e respirei bem forte. Olhei para a janela, realmente era uma tempestade grandiosa que estávamos passando. Eram raios e muita chuva, já era noite nem me tomei conta que estava dopado e o tempo tinha passado.

Eu segurei com todas as forças naquela poltrona, e agora pensei em colocar o cinto, ao ver aquela aeromoça toda ensanguentada, entendi que aquela jaula tremia toda. 

O piloto em vão perguntava pela aeromoça, e pedia aos passageiros para terem paciência e calma. Mal sabia eles que todos estavam desacordados. Quis levantar e tentar observar as condições vitais daquelas cobaias. Todavia o meu medo era maior do que qualquer ato heroico.

Olhei novamente para fora, e parecia que estávamos indo para algo muito estranho, como se tivéssemos sendo sugados para aquela espécie de olho gigante, feito de raios e escuridão.

O piloto falou no alto falante:

"Amigos, quem estiver ouvindo, estamos em pane irreversível, orem e entreguem a sua vida a Deus, fiz tudo o que era possível, porém os dois motores encontram-se em falha. Quem souber ficar na posição fecal, fique, tentarei um pouso forçado em meio a esta tempestade inexplicável."



Li em algum lugar sobre a posição fecal, vi que uma aeromoça se salvou com tal procedimento ilesa, no avião do Chapecoense, sim seria a minha salvação.

Porém era muito estranho o que acontecia, o avião ficou inerte, e estava indo para aquele fenômeno da natureza que eu nunca ouvira falar em todos os anos que já vivera. Aquela fenda gigante. Segurei meus joelhos e confiei no profissionalismo daquele piloto, entrou naquela fenda escura e cheia de raios, sentia choques no meu corpo, fechei meus olhos e comecei a clamar por todas divindades que eu conhecia.

Era jovem para morrer naquele local.

Não suportei, era muita tensão, tirei outro comprimido do meu bolso e engoli. Tudo tremia.

Apaguei.

Quando acordei, a aeromoça me cutucava novamente, tínhamos chegado, ela realmente estava com o corte da cabeça, já tratado. E tudo estava realmente organizado. Ela contou que a rota atrasara por conta da turbulência. As pessoas não viram nada porque ficaram desacordadas por conta de uma descompressão. Fui só eu e o piloto que vimos tudo aquilo.

No lado de fora, parecia que estávamos com algo muito estranho naquele avião, pois eram caminhões do exército, e bombeiros nos esperando. Perguntei para a aeromoça.


"Era pra tanto? Uma turbulência?"

A aeromoça assustada disse:
"Parece que se trata do código oito"


Ficamos em quarentena naquela avião. Todos cochichavam entre si tentando entender do que se tratava. Pedi para conversar com o piloto:


"Amigo, você salvou as nossas vidas" Eu vi tudo, você foi um herói!


Ele disse:
— EU NÃO LEMBRO ME DE NADA DO QUE SE PASSOU.


Ele parecia atormentado, sim conheço perfeitamente aqueles sintomas. 
O piloto perguntou-me se eu poderia contar o que aconteceu. 
Entendi que aquele profissional estava transtornado.


"Mas você pousou com segurança a aeronave não é?"


"Sim lembro de entrar numa tempestade, e após acordei já aterrissando a aeronave."


Olhei para o meu relógio, o horário estava perfeitamente correto, todavia algo muito estranho aconteceu.
Entrou policiais mascarados.
Levaram as pessoas, parecíamos 'Ets' ou 'infectados'.

Eu perguntei do que se tratava e que era um profissional renomado e estava com uma palestra no Ted para o dia seguinte.

O policial deu risada e disse: "Vocês são um milagre, este avião estava desaparecido há dez anos."




Gostou? E se a leitura continuasse? leia também:

Viagem no tempo | A mãe de Adolf Hitler

Dês de que conseguimos manipular a matéria escura, foi possível fazer uma passagem temporal até lugares remotos, através das coordenadas pré dispostas pela história.

Eu, Amélia Sanchez, estou fazendo este relato, da minha tentativa de desenvolver uma coordenada precisa, para enfim fazer a passagem pela fenda que a matéria escura manipulável do nosso laboratório, pareceu-nos possível de controle.

Para manipular tal preciosidade foi disponibilizado um laboratório de pesquisa, em uma redondeza entre a Jordânia e o Mar Morto.
O Estado de Israel, que financia a pesquisa, não nos permite aferir precisamente a localização, posso lhe garantir, é bem frio e profundo onde descrevo a você.

Das várias tentativas para precisar uma passagem coerente. A de ontem demonstrou maior acuracidade. Nossa Equipe precisa de um voluntário para transpor a fenda, e enfim: Matar Adolf Hitler.

Serei eu esta voluntária, não posso ofertar a outra pessoa senão a mim tal incumbência, afinal, pode-se desintegrar, tal qual aconteceu com as cobaias por erros de precisão. 
Preciso confiar na minha pesquisa. Agora estaremos prestes a mudar a história da humanidade.

Dia 354 no alojamento Manasses, hoje é o grande dia, a matéria escura encontra-se instabilizada, podendo finalmente aferir um percurso. Nos dias que antecederam foi possível desenvolver a localização exata para a passagem, acertado também preceitos de espaço e velocidade. A passagem será assistida em secreto por representantes do governo de Israel e Estados Unidos, nosso objetivo de matar Adolf Hitler já estão quase sendo concretizadas!

Já estou pronta, tive aulas de etiqueta e comportamento para saber me portar nesta Época tão inóspita e primitiva. Março de 1888 Braunau Áustria.
Meu macacão ionizado permitirá a passagem no espaço tempo desta bolha gravitacional que acaba de se formar na frente deste bunker subterrâneo. Confesso que apesar de estar preparada psicologicamente para a passagem, sinto um calafrio inexplicável na espinha.

Antes de entrar nesta bolha retiro com cuidado a estrela de Davi que guardo como pingente no pescoço, beijando-o. Sei que como uma cientista renomada deveria ser neutra perante a religião, todavia sinto que preciso fazer justiça ao meu povo, e hoje a história será reescrita pelos dedos de uma mulher.

Mais uma vez, o meu percurso é repassado. Ao fazer a passagem precisarei ser rápida terei somente 6 horas, antes da desintegração total do meu corpo, se eu não retornar a fenda. 
A fenda se Abre, beijo mais uma vez minha estrela, tiro a foto de Klara Hitler, meu alvo. Preciso mata-la no momento do parto.

Olho para trás, todos atrás daquela redoma de vidro, que é blindada da radiação. Minha roupa ionizada, permite-me a permanência. Olho mais uma vez para trás, penso em desistir, meu marido de longe, faz um sinal para eu ir, Sim serei eu a fazer a história ser reescrita.

Coloco a mão, deveria pular, mas não tenho coragem, através das cobaias sei perfeitamente o efeito que estou sentindo. Um formigamento, ficar entre a fenda e a ponto alvo poderá afetar meu corpo progressivamente e de modo irreversível. 
Entendo quer preciso fazer o impulso e se jogar.

Me jogo ao desconhecido. Meus olhos se fecham e já não vejo nada, coloco as mãos na minha estrela, como um amuleto. Tento abrir meus olhos e não consigo o sentimento é de total descontrole, parece que meus órgãos internos querem explodir neste envolto que me parece uma gelatina negra.

Choques, meu Deus a fase dos choques, impulsos elétricos acometem o meu corpo. A roupa ionizada absorve grande parte, todavia, ainda os sinto.
A Luz, meu Deus a luz, preciso fazer um impulso e chegar àquela luz, a passagem se abriu. Não é mito preciso de todos os modos chegar na luz.

Coloco a minha mão e ela transpõe a passagem, sim estou no outro lado do espaço tempo, prestes a fazer a minha missão.
Fecho os olhos estou exausta, tantos treinamentos para suportar a passagem de nada servirão, pois meu corpo doí, preciso descansar.

Abro meus olhos.

Estou em uma casa antiga. Teria acertado as coordenadas? Precisava ter acertado. Que dor de cabeça, e o meu corpo? Parece que colidi com um carro, tudo dói, preciso fechar os olhos e descansar.

Abro novamente, estou em uma cama, parece que as minhas roupas se foram, preciso descobrir onde esta o meu macacão. Meu tempo esta correndo, se quiser que a missão tenha sucesso, não permito-me descansar.
Quem abre a porta?

Ela a mulher alvo com o seu perfeito alemão.
— Schließlich wachte das Mädchen auf!

Era ela Klara, ligeiramente grávida prestes a dar a luz a Adolf Hitler. Precisava levantar da minha cama urgentemente e matá-la.



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